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sábado, 3 de novembro de 2012

No cativeiro



Eu, poeta que não sou
Tento me expressar através de versos
Que rimam, ou não.
Refém até fevereiro
Quatro anos de cativeiro
Eu e a tese
A tese e eu. 

(Versos produzidos durante um bate papo no Facebook com Roberto Belisário). 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Caminhos cruzados


Dissera o Poetinha: "A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Minha leitura é diferente: a vida é a arte de cruzar caminhos. Pontualmente estamos juntos, até que nossos percursos se tangenciem.  

Reflexões diárias

Em minhas filosofias de buteco cheguei à conclusão que assim como a dor da extração de um dente podre é forte, ela é finita. Pior seria se o dente continuasse ali podre, latejando diariamente. A extração sem anestesia é intensa, mas uma hora passa. E é assim devemos encarar os problemas da vida (Luana Neres, 19/10/2012, em um chat no FB).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O tempo não para.



Como eu gostaria de estar correndo por aí
Sentindo o vento em meu cabelo
O cheiro das flores, da grama.
Mas corro contra o tempo
E o cheiro que sinto é o de livros velhos que nada dizem.

O suor escorre,
Não pelo esforço de subir em uma árvore ou por dançar
Mas pela cobrança de Cronos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Beijar-te



Uma vontade incontrolável de esquecer as convenções, a timidez, os jogos de conquista e poder beijá-lo sem a preocupação do que virá no segundo seguinte, me toma. Não procuro um namorado, nem marido ou amante: desejo somente ter a oportunidade de velejar sobre o mar de sensações que seus lábios provocarão sobre os meus. Como ficaremos depois? Não me importa. Desde que envolvidos na dança de nossas línguas, vivamos intensamente as sensações geradas durante a eternidade destes segundos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Borboletas


Palavras?
Estou farta delas.

Promessas?
Preciso de ações, não projeções!

Chega de dar asas somente à imaginação.
Quero asas de borboletas batendo em meu estômago.

Sonhos...


Agradeço profundamente a existência dos sonhos. São eles que me encorajam viver mais um dia, pois ao final da jornada poderei sonhar novamente.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Bom entendedor

 (Imagem de Jean-Sebastien Monzani).

Para bom entendedor, pingo é letra; 
e sílaba, 
palavra, 
frases entrelaçadas.
Uma tese completa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A dança


Uma mão estendeu-se e eu aceitei-a.
Brindamos, bebemos,
Embalados ao som da música.

Entregamo-nos à dança
Cujo ritmo é ditado pelo batida do instinto.
Palavras sussurada sobre macios lençóis de algodão
Sequer foram ouvidas.

No final, fomos veículos.
Copos sujos de vinho.
Corpos gastos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Menina Lua


Lua:
Confundo-me contigo.
Estás presente até em meu nome.
Encho-me, renovo-me,
Mínguo e cresço.
Brilho e desapareço.
Sobre os olhos contemplativos dos homens.


(O texto acima surgiu após a leitura do belo poema "Conversa com Lua Cheia", da minha amiga Carmen Presotto. A imagem desta edição foi extraída de http://vilamulher.terra.com.br/patywitchmaeve/a-mulher-e-a-lua-9-4317979-56025-pfi.php)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Marshmallow



Sou como um marshmallow com cobertura de chocolate: 
duro por fora, mas macio e doce por dentro. 
Trinco com facilidade e quando dou por mim, 
todo o meu recheio esparramou-se, 
e desperdiçou-se, 
irrecuperavelmente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ao Geraldo, com amor.

Sinto tanto sua falta, amigo!
Nada, nem ninguém é capaz de preencher seu vazio.
Não foi longo o tempo que compartilhamos,
Mas o suficiente para que ficassem impressas em mim eternas marcas suas.


Ainda te sinto em meus braços.
Ainda ouço sua voz.
Ainda me aqueço com o calor de seu corpo descansando sobre o meu.


Éramos unha e carne,
Corpo e sombra,
Companheiros, acima de tudo.


Se eu soubesse que aquela seria a última que te veria
Teria te prendido no abraço,
Te protegido,
Ou pelo menos me despedido melhor.


Ainda te amo, mesmo sem você aqui.
Ainda te amo e como amo!
Te amo e sempre te amarei, querido Gê!

(As fotos desse mosaico são todas minhas. Um autorretrato com meu amiguinho Geraldo, falecido em Outubro de 2010. Um amigo doce e carinhoso como poucos seres "deshumanos" que já cruzaram meu caminho até hoje).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A outra face


Do alto da montanha, certa vez, o Mestre disse:
"Se alguém lhe der um tapa na face direita, ofereça-lhe também a esquerda!" (Mateus 5: 39).

Vários tapas tomei na face direita, 
E a esquerda, em seguida, ofertei.
Do mesmo modo o fiz
Quando ferida fui, também, 
Do lado esquerdo.
Por inúmeras vezes, 
Por diversos motivos
Das mesmas pessoas apanhei.

Decidi refletir sobre o ensinamento do Mestre
E compreendi que oferecer a outra face, na verdade
É agir com pacifismo...
Não com submissão e conformismo.




A partir de então, sobre minha face
Só aceito beijos, afagos, carícias...
Tapas, quando e se vierem, 
Serão sentidos de um único lado
Pois o outro já terá se virado
Na direção oposta
Com a própria força gerada pela pancada. 

Então, a única coisa que oferecerei ao agressor neste caso, 
Será a bela face das minhas costas.




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lágrimas de canção e dor


O disco está arranhado
Repetindo exatamente a frase
Hoje meu peito chora
Lágrimas de canção e dor.

A bela música não toca mais.
Era linda na primeira estrofe
Mas tornou-se melancólica
Justamente no refrão. 
Reforçando infinitas vezes:
Hoje meu peito chora
Lágrimas de canção e dor. 




Preciso reunir forças
Para conseguir me levantar
Trocar o disco arranhado
Ou desligar definitivamente a vitrola.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Migalhas

Não!
Não sou um cão
Que cata migalhas pelo chão.
Quero o melhor:
A carne mais nobre
A bebida mais fina.
Não um esnobe.



Preciso de alguém para complementar
Sem invadir
Para chamar de meu
Mesmo que por 5 minutos.
Por 5 segundos, que seja
Desde que intensos, únicos.
Não migalhas...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tudo o que precisamos é Amor.



O “bicho homem” anda tão acostumado com a grosseria, com a falsidade e com a frieza em suas relações, que a menor manifestação de carinho lhe causa espanto. Não é justamente o Sentimento e a Razão que o fazem HUMANO? Por que o Amor, o Zelo e a Atenção afastam as pessoas ao invés de aproximá-las? 

É preciso acreditar que ainda há lugar para os sentimentos nobres no mundo, antes que nos transformemos em disformes estátuas de sal. Embora muitos defendam que o homem seja o único ser a deter a racionalidade – característica esta que o diferencia dos demais – é necessário relacioná-la aos sentimentos, pois até a Razão requer certa pitada de Emoção para se tornar verdadeiramente analítica. Assim como o doce se torna mais doce com a adição de sal à receita, dizem os confeiteiros.

All you need is Love”, cantaram os Beatles. All we need is love, grito. O mundo carece de Amor, em suas mais diversas manifestações. Hoje! Imediatamente!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Espera.



Cansei de esperar:
O dia amanhecer,
O telefone tocar,
O pagamento cair na conta.


Cada segundo é único e irrecuperável.
Eu quero agora, neste segundo!
Não no dia em que der.
Nem sei se estarei aqui no próximo.

E é tão simples: basta sair da inércia
Basta querer!


Cansei de esperar a felicidade chegar
E tocar a campainha
Chega! Eu quero agora!
Enquanto ainda existe vontade.

domingo, 12 de setembro de 2010

O Cavaleiro

O cavaleiro vestiu a armadura, embainhou a espada e saiu. Cavalgou por vales e vilarejos, procurando por aquele que lhe trouxera mágoa.
Em um dado momento, avistou o inimigo e seguiu em sua direção. A certeza de que aquele seria o fim do oponente encorajou o cavaleiro a apontar-lhe a arma. Nada poderia ocorrer de errado: ele havia treinado, afiado a espada e traçado a estratégia. Mas, ao empunhar a espada, fora surpreendentemente rendido pela a destreza de seu adversário que, tomando-lhe a arma, feriu-o. A ponta afiada penetrou exatamente na brecha existente nas juntas da armadura, atingindo o cavaleiro em cheio no coração.
E então ele percebeu quanta dor sua própria espada era capaz de provocar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cinzas


O mundo está cheio de "cinzas"
Claros, escuros, médios.
Reconheço e respeito essas nuanças.
Algumas são belas, outras, nem tanto.
Mas eu ainda prefiro o preto e o branco.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Esculpir-se

"O Escultor". Praça Universitária. Goiânia-GO. Fotografia de Luana Neres.

O ser humano é uma Obra de Arte elaborada por si mesmo. E como tal, é o resultado único da inspiração do Artista, que seleciona a matéria-prima, a técnica, o acabamento. As Ferramentas são humanas e estão em suas mãos. Embora a Obra esteja exposta ao mundo, é o próprio Artesão-Homem quem elege a quem mostrar os detalhes.

Lamentavelmente, na maioria das vezes, a Obra só é apreciada quando o processo termina. Mas a beleza está imersa na operação, que por si já é bela exatamente por revelar a criação humana.  

Esculpir-se é um exercício diário, necessário, mas não é tarefa fácil. Por mais que moldar a peça possa parecer doloroso, cada lasca arrancada do material bruto contribui no resultado final da Escultura-Homem, revelando assim a essência do Artesão.